Já percebi que de uns anos pra cá estou numa metamorfose braba, expandindo conceitos, estilos, opiniões, abrindo a mente. Mas deu uma pane no meu sistema essa semana. Tão séria a coisa que me senti perdida e travada de certa forma, tudo por culpa da minha característica de acreditar em absolutamente tudo. Quando vejo uma multidão crendo em algo, chego logo contradizendo e estudando seus inimigos. Porque detesto quem tem só uma opinião lapidada na testa, imutável. Essa sede de ser contra o que a sociedade acredita e acreditou nos últimos milhares de anos é enorme. Me orgulho, claro, e me contradizo, porque avalio os prós e contras de cada lado, e assim acabo misturando A com B. Pode parecer uma bagunça (e é, estou tentado usar um tempo pra pôr no papel tudo que penso e dispenso das ideias, pra poder me situar), mas é interessante não se prender às regras do que é certo e o que é errado.
Quando estudo uma coisa, caio dentro do mar de ideias e acabo por me afogar. Isso se não faço tudo simultaneamente. Então, fico paranóica, em pânico, melancolia quase que sem fim. Normal, como boa pessimista que sou, sofro antecipadamente.
Agora é a hora da ufologia - algo que sempre acreditei -, mas esse tema é tão maior do que eu pensei, tão mais sério (céticos, ridicularizem à vontade,
nothing else matters), que eu simplesmente parei em algum lugar no tempo e no espaço. As crenças que eu poderia ter tido antes estão difusas, tudo o que eu faço por fora está em segundo plano, e eu vejo a hora em que eu vá explodir. Faz parte.
Mas eu tenho uma carta na manga:
Sim, meus textos sempre voltam à estaca zero. Não há pra onde correr quando o negócio é a música. Não importa o que eu pense, o que eu fale, o que me façam, como esteja meu estado de espírito. Me sinto morta quando a melodia não chega aos meus ouvidos. Me sinto desorientada.
A letra da música muitas vezes surpreendentemente se encaixa com o momento, principalmente politicamente falando. Mas é a melodia que me remete à tempos remotos e aparentemente nunca visitados por mim. Campos sem fim, desertos com prédios de concreto interminados e cuja obra abandonada, algo no ar que palavras são incabíveis de tão pequenas. Eu estive lá, não em sonho, não em pensamento, não nessa vida. Mas estive. É como uma saudade de tempos que não vivi, de coisas que não aconteceram, ou de ambientes dos quais só eu visitei ou senti. Não existe tempo, não existe passado, futuro. Tudo é o agora, um presente infinito de grandeza inimaginável. Como minha verdadeira casa. Meu verdadeiro lar. Talvez seja uma ou várias dimensões acima desta, que cada vez se torna mais confortável, familiar, habitual.
Não é por coincidência tudo o que me rodeia. Não é coincidência
meu gosto musical, político, filosófico. Ultimamente não creio em coincidências. Porque tudo isto me é tão familiar, tão meu de certa forma, como se fossemos um só, uma enorme colônia imortal em outros mundos, outros campos, talvez em mente, talvez em outra dimensão. É complicado explicar algo que mesmo tão presente ainda está as escuras. É como se eu estivesse chegando na abertura da caverna escura e focada numa só direção, sentindo o cheiro da liberdade de sentimentos e ideias, sentindo que está cada vez mais perto de quebrar o muro que me prende, mas ainda com correntes infincadas nos pés, me impedindo de ir mais além.
Sei que está chegando a hora. De alguma forma irei quebrar esse muro entre o aqui e o lá - espero que ainda em vida - e irei desfrutar do meu infinito imortal.
Tudo isso é como uma grande viagem, como se eu estivesse dentro de um carro numa estrada sem fim, mas esse carro não existe, é o que se aproxima mais da minha visão, porque nela não estou a pé. Vejo a infinidade do céu, da terra, do ar, e por mim ficaria por toda a eternidade observando, sentindo, desfrutando.
Penso que a verdadeira Helen está lá, esperando por mim, junto com todos esses que admiro e amo, que me acalmam quando desespero, que me confortam quando não estou bem sitiada. "Calma, eles dizem, estamos contigo, lembre-se um pouquinho de nós, de nossa terra, não se sinta estranha aí no inferior, você tem uma grandiosidade que será desfrutada sempre que quiser, é só não se esquecer de nós."
Acreditem, nunca me senti tão sublime e completa, tão confortável em outro ambiente. Nunca me expressei de forma tão próxima - mas ainda distante - do que vejo. É um ganho inestimável, agradeço a quem quer que seja que contribuiu com minha reflexão, agradeço a quem está me ajudando a lembrar da minha casa.